Projeto Caminho do Fogo

Título: Rebranding de plataforma de brigadas florestais com automação de cadastro
Número: 50% de redução no tempo de cadastro de brigadistas
Impacto: Transformou gestão manual descentralizada em sistema integrado com registro em tempo real via app mobile

Contexto: Brigadas de combate a incêndios florestais gerenciavam brigadistas, ocorrências e ações preventivas manualmente em planilhas dispersas. Gestores cadastravam cada brigadista à mão (habilidades, equipamentos, certificações), sem integração com registro de campo. Interface antiga tinha contraste baixo e hierarquia visual confusa, dificultando leitura de informações críticas em situações de emergência.

Conflito: Usuários em campo (brigadistas) trabalham sob alta pressão física e cognitiva durante incêndios. Interface precisa funcionar sob sol forte, com luvas, em movimento. Gestores precisam de visão consolidada em tempo real, mas dados chegavam dias depois via papel. Sem padrão de design interno para seguir.

Objetivo: Redesenhar interface com hierarquia visual clara, automatizar cadastro de brigadistas eliminando trabalho manual, e criar app mobile para registro em tempo real no campo — tudo integrado em dashboard centralizado.

Trade-offs

O que sacrificou?
Histórico completo de todas as ações desde o início do projeto. Decidimos migrar apenas últimos 12 meses de dados + ocorrências críticas arquivadas, descartando registros antigos incompletos.

Por quê?
Dados históricos estavam em formatos inconsistentes (PDFs escaneados, planilhas com estruturas diferentes por ano, fotos sem metadata). Preferimos lançar sistema funcional rápido com base limpa do que atrasar por arqueologia de dados.

Qual risco mitigou?
Risco de entregar sistema “completo” em 8 meses que chegaria tarde demais para a temporada de queimadas. Com recorte, entregamos antes e pegamos a temporada crítica (agosto-outubro). Brigadas puderam usar sistema quando mais precisavam.

Decisões

  • Decisão 1

    Decisão: Fluxo de cadastro com pesquisa inicial que preenche automaticamente habilidades, equipamentos e certificações ao invés de gestor digitar tudo manualmente.

    Evidência: Observamos gestor cadastrando brigadista: abria currículo em PDF, copiava certificações uma a uma, procurava em lista de equipamentos, conferia habilidades. 15-20 minutos por pessoa. Com 40 novos brigadistas por temporada, gastava 10-13 horas só em cadastro.

    Consequência: Sistema de autocomplete exigiu integração com base de certificações do Corpo de Bombeiros (API externa) e criação de taxonomia de habilidades (115 termos padronizados). Mas tempo de cadastro caiu de 15min para 7min por pessoa. Gestor recupera 5-6 horas por temporada para focar em treinamento ao invés de burocracia.

  • Decisão 2

    Decisão: App mobile para brigadistas com registro offline-first e sincronização posterior ao invés de formulário web responsivo.

    Evidência: Áreas de incêndio florestal têm zero cobertura 3G/4G. Formulário web responsivo exigiria conexão. Testamos: brigadista passa 6-10h no campo, volta à base apenas no final do dia. Formulário web coletaria dados apenas após retornar (perdendo precisão temporal e geolocalização exata).

    Consequência: Desenvolver app nativo Flutter aumentou escopo em 6 semanas. Mas brigadista agora registra ação no momento exato (coordenadas GPS, timestamp automático, foto do foco). Quando volta à base com WiFi, sincroniza tudo. Gestor tem visão de “o que aconteceu onde e quando” com precisão de minutos, não “resumo do dia inteiro” genérico.

O que faria diferente

  • Simulação de treinamento antes do go-live:  Deveria ter feito ambiente de staging idêntico 2 semanas antes, deixado gestores treinarem em paralelo com sistema antigo ainda ativo, não ir substituindo com base na finalização das demandas.

 

  • Indicador visual de status de sincronização no app: Brigadista não sabia se dados foram enviados ou não. Incluía apenas “última sincronização: há 3 horas”. Deveria ter ícone grande: 🟢 “Tudo sincronizado” / 🟡 “5 registros pendentes” / 🔴 “Sem conexão, 20 registros aguardando”. Eliminaria ansiedade e tentativas repetidas de sync manual.

 

  • Migração gradual por brigada: Ativamos para todas as 8 brigadas simultaneamente. Bug crítico (relatório de horas trabalhadas calculando errado) afetou todo mundo. Deveria ter feito rollout 2 brigadas → corrigir bugs → mais 3 brigadas → ajustes finais → restante. Risco distribuído.

Impacto Final

Métricas consolidadas:
    • ✅ 50% de redução no tempo de cadastro de brigadistas (15min → 7min por pessoa)
    • ✅ 35% de aumento na eficácia de leitura de informações críticas (contraste + hierarquia visual)
    • ✅ 40% de ganho no tempo de gestores para consolidar e analisar dados via dashboard
    • ✅ Registro em tempo real de ocorrências com geolocalização precisa (antes era estimativa manual horas depois)

Lições Aprendidas

Este projeto me ensinou que design para situações de emergência não pode priorizar estética sobre funcionalidade crítica

A experiência de testar protótipo sob sol forte no campo (não em sala climatizada com monitor calibrado) foi reveladora — contexto de uso define tudo. Se eu tivesse confiado apenas em princípios de design “modernos” sem validação no ambiente real, teria entregue interface ilegível exatamente quando brigadistas mais precisam dela.

Também aprendi que automação precisa ser transparente para o usuário. O sistema preenchia campos automaticamente, mas inicialmente não mostrava “de onde” vinha a informação. Gestores desconfiavam: “Como o sistema sabe que esse brigadista tem certificação X?”. Adicionar tooltip simples resolveu 90% da resistência. Confiança em automação exige visibilidade do raciocínio do sistema.

Telas

Antes

Depois